domingo, 23 de maio de 2010

Resposta do Prof. Sérgio Torres Teixeira

Caríssimos alunos da Turma N3 da FDR neste semestre de 2010.1,

          Atendendo ao convite do amigo Erasto Tenório, escrevi a mensagem abaixo a todos vocês interessados em seguir carreira na magistratura ou em outra carreira do serviço público.
          Desejo o melhor a vocês, queridos.
          STT

Nos concursos públicos para ingresso na magistratura,  o grau de complexidade de algumas questões criadas pelas comissões é, antes de tudo, definida pela extensão da imaginação (extremamente) fértil de alguns examinadores ... produzindo uma quantidade impressionante de elementos a serem abordados pelos candidatos.
A empreitada, sob vários ângulos, se torna algo parecido, corriqueiramente, com uma tarefa digna de um “Hércules intelectual” ...
Mas como diz o “filósofo”, isso faz parte ...
A aprovação do candidato, diante das várias etapas do concurso, exige um bom domínio dos mais variados institutos de outros ramos do Direito. E, de igual forma, não basta conhecer bem a doutrina, a legislação e a jurisprudência. É imprescindível saber desenvolver as técnicas de redação imprescindíveis às etapas relativas as questões dissertativas e à prova prática de (elaboração de uma) sentença.
Sem o desenvolvimento adequado das técnicas de redação, alcançar a aprovação em tal fase do concurso será, se não impossível, muito, mas muito difícil mesmo ...
Para compreender as técnicas de elaboração, é estudar e treinar, estudar e treinar, estudar e treinar ... Nesse sentido, após desenvolver uma boa base de conhecimento, deverá o candidato treinar as suas habilidades mediante a resolução, de forma simulada (sozinho ou em grupos, controlando o tempo, etc.), de provas de concursos já realizados para, quando adquirida um preparo mínimo, proceder ao teste “real” da sua aptidão, nos próprios concursos públicos.
Tal “treinamento”, mesclando o estudo do conteúdo (doutrina, legislação e jurisprudência) com a resolução de provas em exames simulados, é o melhor caminho de sucesso a seguir.
Impossível? Inalcançável pelo mero mortal?
Não. A aprovação no concurso não pode ser considerada algo fácil de ser realizado, mas está longe de ser uma meta inatingível para o bacharel em direito realmente determinado a ingressar na respectiva carreira.
Na realidade, a aprovação está ao alcance de qualquer interessado(a), desde que este(a) preencha os requisitos genéricos exigidos no edital do concurso (como os três anos de experiência jurídica), e, especialmente, tenha algumas qualidades mínimas, essenciais para enfrentar tal tarefa (que, na realidade, não é de Hércules ...).
Então, existe algum “segredo” para passar no concurso?
Não. Não há uma “fórmula secreta” para obter a aprovação. É simples: com disciplina, dedicação e perseverança, o “prêmio” correspondente à aprovação está ao alcance de qualquer candidato(a).
Agora, é preciso ser um “gênio”?
Não. A genialidade não é pré-requisito para aprovação em concursos da magistratura ou do ministério público.
No entanto, o esforço na preparação, salvo raríssimas exceções, o é.
Como dizia o famoso treinador de futebol americano, Vince Lombardi, quanto mais você suar no treino, menos vai sangrar no campo de batalha ...
O “treinamento” deve ser “puxado”, mas sem excessos. Dependendo de sua disponibilidade de tempo, o candidato poderá dedicar aos estudos e provas simuladas um total semanal de dez, vinte e até quarenta horas. Pelo menos dez horas, para aquele que realmente se enquadra como um candidato. Não mais de que quarenta horas, como limite máximo, como forma de permitir outras formas de amadurecimento, intelectual e emocional, igualmente necessários à submissão ao concurso público (e ao desenvolvimento da atividade inerente).
 O mínimo de dez horas e o máximo de quarenta horas, na realidade, são parâmetros flexíveis, não rígidos, definidos segundo a experiência de mais de dezesseis anos de preparo de candidatos.
É certo que vários fatores subjetivos, de ordem pessoal (condições de estudo, exigências familiares, etc.), exercem forte influência no ritmo de preparo de um candidato. Um candidato com facilidade de absorção das lições extraídas do seu “treinamento”, assim, poderá adquirir mais rapidamente um grau de aptidão em comparação com aquele mais lento na compreensão dos ensinamentos. Contudo, em termos gerais, mesmo um profissional ocupado (como,por exemplo, um servidor público sobrecarregado na sua função ou um advogado militante que trabalha em dois e às vezes três expedientes), se conseguir manter um ritmo disciplinado de estudos de algo em torno de dez horas de estudo por semana, com dedicação e perseverança, poderá entrar em “ritmo de competição” em menos de do is anos, com reais chances de ser aprovado no concurso. E, em alguns casos, tal nível de competitividade pode ser alcançado em bem menos tempo.
Dedicação, demonstrando uma vontade direcionada e uma “entrega” pessoal completa, sem receio de sacrifícios.
Disciplina, apresentando organização nos estudos e sistematização do preparo em busca do nível de competitividade necessário à aprovação no concurso.
Perseverança, revelando um inabalável “foco” no objetivo e uma estrutura emocional para enfrentar as dificuldades e superar obstáculos e eventuais insatisfações.
Tais são os principais elementos exigidos no “treinamento”. Sem qualquer “segredo”, esta é a “fórmula do sucesso”.
Não se trata de saber se você quer ou não ser aprovado no concurso. É saber se você quer ser aprovado o suficiente para se submeter a tal regime de dedicação, disciplina e perseverança.
Todos os candidatos querem ser aprovados. Todos querem receber o “prêmio” ao final do certame. Agora, quantos quererem tal “troféu” o suficiente para enfrentar as respectivas exigências do “treinamento”? 
Você, candidato(a), está mesmo(a) disposto(a) a se sujeitar a tal regime de sacrifício? Quer mesmo “encarar” tal desafio de submissão a um objetivo?
Antes de prosseguir, responda. Sem rodeios, de forma franca e direta.
Se a sua resposta, sincera, for NÃO, é melhor outro caminho mais útil para sua vida. Não fique desapontado(a). É melhor reconhecer que não é este o seu caminho de que insistir em algo que não deixará você feliz e provavelmente representará um desperdício do eu tempo. A sua sinceridade terá sido benéfica.
Se a sua resposta, honesta, for SIM, quero me submeter a tal regime de esforço para atingir meu objetivo, então vá adiante, continue lendo e prosseguindo em direção à sua meta de ser tornar um magistrado.
Decida, agora.
Está aqui ainda?
Continua aqui comigo, lendo? Então PARABÉNS. Você acabou de dar mais um passo em direção a sua caminhada de sucesso. Talvez o passo decisivo.
Agora, vamos em frente.
Repito mais uma vez: Dedicação. Disciplina. Perseverança.
Demonstrando tais qualidades, vivendo tal realidade, entregando-se a tal regime de preparação, tenha certeza de uma coisa: o seu momento chegará. Acredito em você, colega.

            Sergio Torres Teixeira

3 comentários:

  1. Obrigado pela lição,professor!Com certeza servirá como motivação a muitos na turma N3.

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  2. bom, entao vamos seguir o conselho nao é? vamos nos reunir, arranjar uma pilha de provas de concursos antigos e realizá-las em grupo, cronometrando o tempo... depois do fim da prova, comentar as respostas com o grupo... seria muito produtivo. Alguém gosta da idéia?

    Italo

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